DESCASO

O FIM DE DUAS PRAÇAS DA VERGONHA NO IPSEP  
 
 
Finalmente a Prefeitura do Recife, através da 6ª Dircon, com o apoio de 19º Batalhão da Polícia Militar, realizaram dia 15/10/10, operação de reintegração de posse de 2 Praças no bairro do IPSEP, ocupadas há anos por vários comércios clandestinos. As praças ficam localizadas na Avenida Recife, na altura dos números 2200 e 2400, entre as ruas Alaíde de Sá Leitão e Maria José Mota da Silveira (bem próximo do acesso ao bairro do Ibura). Os locais estavam servindo  para uso e tráfico de drogas, pontos de prostituição, prática de sexo, esconderijo para assaltantes, desova de veículos roubados e carros abandonados, além de muito lixo acumulado. Inclusive ocorrências de homicídios, como no último dia 12/10, em um dos bares que funcionava no local. A desocupação atende a antiga reivindicação da Associação de Moradores e Empresários do IPSEP, respaldado pelos moradores do entorno dos locais que se organizaram num Abaixo Assinado com mais de 1.000 assinaturas. Em julho/2010 foi solicitado providências a 6ª Dircon, e como não houve resposta, entramos com uma representação no Ministério Público Estadual, na promotoria de Habitação e Urbanismo, o qual sortiu resultado esperado.

Veja imagens da desocupação nas fotos abaixo:

PRAÇA DESOCUPADA NA ALTURA DO NÚMERO 2.200 DA AVENIDA RECIFE
DESOCUPAÇÃO I DESOCUPAÇÃO II DESOCUPAÇÃO III DESOCUPAÇÃO IV DESOCUPAÇÃO V DESOCUPAÇÃO VI
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DESOCUPAÇÃO VII DESOCUPAÇÃO VIII DESOCUPAÇÃO IX DESOCUPAÇÃO X DESOCUPAÇÃO XI DESOCUPAÇÃO XII
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PRAÇA DESOCUPADA NA ALTURA DO NÚMERO 2.400 DA AVENIDA RECIFE
DESOCUPAÇÃO I DESOCUPAÇÃO II DESOCUPAÇÃO III DESOCUPAÇÃO IV DESOCUPAÇÃO V
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DESOCUPAÇÃO VI DESOCUPAÇÃO VII DESOCUPAÇÃO VIII DESOCUPAÇÃO IX DESOCUPAÇÃO X
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Veja a localização exata das praças desocupadas (mapa) Clique Aqui
PRAÇA DO AVIÃO, VILA DOS BANCÁRIOS - IPSEP (INVADIDA)
PRAÇA INVADIDA POR BAR PRAÇA INVADIDA POR BAR (2) BAR USA ATÉ O NOME DA PRAÇA PRAÇA INVADIDA POR BAR (3) PRAÇA INVADIDA POR BAR (4)
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PRAÇA ALEIXO DE OLIVEIRA - IPSEP (REFORMA PROGRAMADA PARA ESTE ANO)
Veja abaixo o estado que encontra-se a Praça Aleixo de Oliveira (Ao lado da Igreja Matriz)
       
PLACA DA ÚLTIMA REVITALIZAÇÃO A PRAÇA ESTÁ ABANDONADA É LIXO POR TODA PARTE A PRAÇA ESTÁ ABANDONADA 2 É LIXO POR TODA PARTE 2 LIXO POR TODA PARTE 3É TEM ATÉ PNEUS VELHOS
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PLAYGROUND DETERIORADO PLAYGROUND DETERIORADO 2 APARELHOS DE GINÁSTICA ACABADOS QUADRA DE ESPORTES DETERIORADA QUADRA DE ESPORTES DETERIORADA 2 QUADRA DE ESPORTES DETERIORADA 3 CONSUMO E TRÁFICO DE DROGAS NO LOCAL
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A Praça Aleixo de Oliveira (mais conhecida como pracinha do IPSEP), fotos acima, fica ao lado do terminal de ônibus do IPSEP e da Igreja Nossa Senhora da Conceição Aparecida (Matriz), no coração do nosso Bairro, está abandonada pelas autoridades. A sua última revitalização foi no ano de 1998 (há mais de 12 anos) pelo governo do então prefeito do Recife, Roberto Magalhães. O local está totalmente abandonado, fétido, todo pichado, esburacado, cheio de mato, com a iluminação precária e com todos os equipamentos do playground quebrados. A praça virou ponto de encontro de marginais, com o uso e tráfico de drogas, viciando menores da Escola ao lado, prática de sexo, além de muito lixo acumulado. Clique na imagem ao lado e veja a localização da Praça Aleixo de Oliveira >>
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                   AMEI EM AÇÃO
Foi protocolado na Dircon 6a Regional, no último dia 15/07/2010, Requerimento exigindo a desocupação e revitalização das 2 praças localizadas na av. Recife, altura dos números 2.200 e 2.400, ocupadas hoje com pontos comercias. O Requerimento tem o respaldo de mais de 800 assinaturas de moradores, a maioria deles do entorno das 2 praças. E como não fomos atendidos como deveria, a Associação de Moradores & Empresários do IPSEP - AMEI, protocolou no dia 01/09/2010 no Ministério Público Estadual, na Promotoria de Habitação e Urbanismo, Requerimento exigindo da Prefeitura do Recife as providências cabíveis para o problema, requerendo a reintegração de posse das praças invadidas, com a imediata desocupações e a demolição dos imóveis instalados irregularmente nesses locais, além da revitalização das mesmas. Foram também enviados ofícios ao 19o Batalhão da Polícia Militar e Delegacia de Polícia Civil do IPSEP, exigindo providências para expulsar os marginais que tomaram conta dessas praças. Após a desocupação estaremos buscando parcerias no comércio local para adoção desses espaços, devolvendo-os totalmente revitalizados ao Bairro, resgatando suas finalidades que são o lazer e a prática de esportes para todos moradores do Bairro do IPSEP e da cidade do Recife.
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A campanha "As Praças são Nossas" na coleta de assinaturas foi um sucesso. Veja ao lado reprodução do cartaz e panfleto que foram distribuídos nas residências e expostos em pontos comerciais do Bairro. A coleta de assinaturas através de Abaixo Assinado, que foi apresentado e distribuído porta a porta da comunidade do entorno das praças incluídas na Campanha, conseguiu mais de 1000 assinaturas, nos respaldando para entrarmos com uma representação na Promotoria de Habitação e Urbanismo do Ministério Público Estadual contra a Prefeitura do Recife para que a municipalidade fosse obrigada a tomar as providências cabíveis.
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Recife, cidade inimiga do verde                                                                                               CLIQUE PARA AMPLIAR

O verde – áreas de proteção ambiental, arborização e presença de grama – em Recife é algo muito ralo. Entre as cidades mais populosas do Brasil, somos evidentemente uma que tem as menores taxas de cobertura vegetal. Esse problema, contudo, não vem sendo consistentemente considerado pelas sucessivas gestões da prefeitura local. Esta denúncia escancara como somos uma cidade que histórica e estruturalmente recusa e esnoba as bênçãos do meio ambiente e ainda ousa continuar maltratando-o.

Tomemos como um exemplo inicial o bairro do Ipsep. Percebamos que essa é uma localidade ainda bastante arborizada em comparação a outras do município, mas não deixa de escancarar seriamente o referido problema.

Ali ainda temos praças pequenas, médias e grandes com bastantes árvores. Mas a grama nelas está em extinção e predomina ora o chão de terra batida ora o coberto de placas de concreto. Todas estão em estado de conservação de razoável a mau. O chão da Praça do Sargento, a maior do bairro, é dominada por concreto, piche, areia, solo batido e lama, estando a cobertura gramínea esparsa e deteriorada. Já nas ruas entre as casas, a arborização é muito rara, predominando o clima de calor e desconforto.

Na área que abrange esse bairro e o pedaço da Imbiribeira situado entre a avenida Mascarenhas de Morais e o Canal da Mauricéia, há uma única área de proteção ambiental, um manguezal, que se encontra muito reduzido, tendo sido mutilado ao longo das últimas décadas por desmatamentos que abriram espaço à construção de estabelecimentos como casas, pátio de veículos e o extinto shopping Boa Viagem Outlet.

Se essa localidade ainda é uma das mais verdes do Recife, imaginemos como estão deteriorados os domínios da clorofila em toda a cidade.

A arborização na maioria dos bairros é muito rala, ainda mais que no Ipsep. Seja lá por onde algum(a) turista passar, perceberá uma grande carência de árvores. As construções obrigam as árvores a se “adaptarem” à presença delas, e não o contrário. A maioria das calçadas também é construída e reparada sem levar os vegetais em consideração, havendo quase sempre casos em que as raízes crescidas as quebram.

Parte do centro expandido da cidade ainda mantém uma certa quantidade de árvores antigas, mas elas também não encontram espaço para crescer, havendo o esticamento da fiação elétrica e a já citada quebra das calçadas. Se lá elas eram valorizadas no início do século 20, essa estima desvaneceu com o tempo, uma vez que a maioria dos prédios construídos desde então passaram a não respeitar sua presença, ostentando formas arquitetônicas que as espremeram em cima das calçadas estreitas.

Além de árvores nas ruas, carecemos também de parques realmente verdes. Há poucos deles distribuídos pela extensão do município. Os existentes são raros e minúsculos. Temos uma ideia melhor quando percebemos que o Jardim Botânico e o Parque da Jaqueira, os maiores de todo o Recife, possuem respectivamente apenas 25 e 7 hectares, ovos de formiga se comparados a lugares como o Parque Ibirapuera, de São Paulo, com 158ha, e o Central Park, de Nova York, de 341ha.

Também restam poucos redutos florestais: imagens de satélite mostram que as maiores áreas de mata – Mata do Curado, Reserva de Dois Irmãos, Mata da Várzea, Manguezal de Boa Viagem e Mata do Engenho Uchôa – ocupam partes muito pequenas ao lado da enorme área de cores cinzentas e avermelhadas – os tetos das casas e prédios.

Esse desprezo pelo verde é histórico. É de se considerar que a cidade do Recife foi construída a partir de devastações implacáveis ao longo dos séculos. Aqui havia um magnífico estuário da microbacia hidrográfica do Rio Capibaribe, riquíssimo em mangues e rodeado por morros revestidos de Mata Atlântica. O estuário foi brutalmente desfigurado por inúmeros aterros em cima dos quais grande parte das regiões central e periférica recifenses foi erguida.

O mesmo aconteceu com toda a extensão de mangue da cidade, com exceção do Manguezal de Boa Viagem e um punhado de áreas ciliares. O bairro do Ipsep, citado mais acima, só existe hoje porque a vegetação local foi destruída e o chão de lama foi aterrado em meados do século passado.

As matas ciliares também foram sacrificadas em nome da urbanização. Quem anda pelo Rio Capibaribe nos seus quilômetros finais perceberá que significativos trechos de sua margem já não contam mais com árvores. A grande maioria da vegetação ciliar que restou não passa dos vinte metros de largura.

A floresta atlântica dos morros também sofreu uma apocalíptica destruição. À exceção do morro dentro da extensão da Mata do Engenho Uchôa, tudo ali foi derrubado e deu lugar a bairros periféricos extremamente desordenados, que hoje sofrem com a erosão de paredes de solo nu a qual frequentemente causa danos materiais e perdas de vida a cada chuva forte.

Recife, enfim, é um legítimo caso de ecocâncer, um exemplo negativo de urbanização no Brasil. Mostrou-se aqui como se promove a destruição sistemática de ecossistemas em nome de um pseudoprogresso que não faz a cidade crescer, mas sim inchar. Aqui nunca se respeitou o verde, e até hoje persiste esse desrespeito à natureza.

Atitude essa que até a própria prefeitura insiste em dar cabo. As sucessivas gestões do governo municipal nunca deram à dimensão ambiental a atenção devida. Pelo contrário, permanecem investindo em políticas “antiverdes”. Três sórdidos detalhes mostram como nossos prefeitos não valorizam o verde: a precária manutenção das praças e parques da cidade, a inexistência de uma secretaria exclusivamente dedicada ao meio ambiente e o erguimento de obras que, ora não priorizam a arborização, ora agridem o próprio ambiente local.

Este último detalhe tem como exemplos maiores o chamado “parque” Dona Lindu, inaugurado parcialmente no final da gestão de João Paulo, onde a extensão de grama e árvores está reduzida a uma pequena porção da extensão do terreno onde foi construído e se situa espremido entre o paredão de edifícios e duas grandes construções que lembram tanques de armazenamento de combustível; e o projeto de construir uma estação de tratamento de lixo dentro da zona de proteção ambiental onde está incluída a Mata do Engenho Uchôa, a qual lança temores de que haja poluição e desmatamento na área.

Recife, por mais reconhecimento turístico que tenha, é uma cidade ecologicamente horrível, tem no verde um ponto fraquíssimo, tanto por seu histórico como pela sua situação atual. Não temos áreas vegetais bastantes, nossas florestas estão reduzidas a pontos e a prefeitura não dá nenhuma esperança de que isso vá mudar a curto ou médio prazo.

A verdade é que só a posse de um governo municipal sério que saiba fazer uma boa gestão urbano-ambiental e a ascensão da consciência ecológica dentro da cidade -- comportamento que irá impelir a população a cobrar a construção de parques verdes e a preservação das poucas matas existentes -- serão capazes de reverter essa triste situação.

Texto: Robson Fernando, robfbms@hotmail.com  consciencia.blog.br

 
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